domingo, 24 de maio de 2015

Manual da praticidade chinesa

Chinês é chinês, são praticidade em pessoa, são descomplicados e sabem dar um jeito pra tudo. Não importa se tem muita gente, se não dá para carregar ou se passou do peso, o que importa é que aconteça. Muitas das técnicas chineses são milenares e hoje estarei lhe ensinando a forma(técnica) prática de carregar produtos e passageiros.

Economiza combustível, pratica o equilíbrio e pode costurar no trânsito.

Vai dizer que não é uma aventura?! Principalmente com a passagem de ônibus a esse preço!
Ninja

Olha e aprenda! Motoboy de frango.

Açougue?! Pra quê se eu posso carregar na garupa e ir atrás do cliente.


Se vê isso de monte na China














terça-feira, 19 de maio de 2015

Crescendo na China - A China aos olhos de uma criança

Muitos pais quando vão morar no exterior, levam consigo seus filhos, alguns até nascem lá, e esta família deixa de ser 100% brasileira.  Os filhos crescem em um lugar diferente, aprendem a falar uma língua estrangeira, muitas das vezes, melhor que a língua “materna”, chega um momento onde você se sente sem pátria e sem raízes e tem que “voltar” para o que chamam de “seu país”. Isso foi o que aconteceu comigo.

Fui para a China com dois anos, eu já falava português bem para uma criança desta idade e tive a sorte de não perder o pouco que sabia nos anos que estive longe do Brasil. Quando fomos para a China, fomos em 4: eu, meus pais e minha irmã mais nova, a terceira nasceu em Macau (colônia de Portugal na época) oito meses depois.

Esquerda: Eu, meio:minha irmã Mônica, direita:chinesinha local


Mesmo sendo muito nova, lembro me do primeiro dia que meus pais me levaram para a creche, era uma creche portuguesa, com professores portugueses e os alunos eram filhos de portugueses. Nunca entendi como, mas no primeiro dia quando perguntaram meu nome e abri a boca para responder: “Karina”, falei com sotaque de português de Portugal mesmo nunca tendo aprendido, parece estranho mas várias das professoram não sabiam que eu era brasileira até conhecerem meus pais. Na escola eu usava meu sotaque português e em casa o “brasileiro”.

Quando fiz 5 anos, minha mãe me matriculou em uma escola luso-chinesa onde eu terminei o jardim de infância e fiz a primeira série, em cantonês. Foi estranho de início, eu não entendia nada e ficava sentada na sala de aula brincando com meus dedos ou meu cabelo, muitas vezes a professora chamava minha atenção, mas o que eu podia fazer? Tudo passou a ser mais rígido, os alunos eram cobrados como se fossem robôs, eu ficava até nove da noite tentando fazer os exercícios que na época pareciam impossíveis para uma criança de 5 anos. Meus pais não entendiam nada e várias vezes tivemos que ir até o porteiro do prédio para que ele nos explicasse o que a palavra ou a frase significava.

5 anos de idade - usando um chapéu do povo local


Eu não brincava muito, as vezes ia ao parque no fim de semana e ficava horas no balanço, eu ficava me balançando e pensando na vida, tinha algumas bonecas em casa mas também não era o que eu gostava. Para falar a verdade, eu sempre quis ser adulta, desde que eu me entendo por gente. Detestava quando as pessoas me tratavam como criança e ficava contando os anos para completar 18. Na minha cabeça, somente quando eu completasse dezoito anos eu poderia tomar decisões próprias e ir para onde eu quisesse.

Aos sete anos, nos mudamos para Cantão. Foi onde eu comecei efetivamente a aprender mandarim e traduzir para os adultos que ainda não tinham aprendido a falar tão bem, porque até então eu só falava português e Cantonês (língua oficial de Macau).

Aos oito, nos mudamos novamente, desta vez, para Kunming, onde ficaríamos os últimos 10 anos. Bom, falar assim é fácil mas neste meio tempo, tentamos morar na Índia, conhecemos outros países na Ásia, voltamos para o Brasil, moramos quatorze meses nos EUA(em dois Estados diferentes), voltamos para Kunming, três anos depois tiramos férias no Brasil, retornamos mais uma vez para a China e assim foi...

Minha vida foi sempre uma correria, mudando de uma casa para outra (17 ao todo), de cidade para outra (13) e eu deixei de ter um lugar onde eu podia chamar de “lar”. Para um adulto que escolhe esta vida, isto é apenas fruto de suas escolhas, mas para uma criança é bem diferente.

Viajando de ônibus no interior da China


Por estas razões, nunca tive amigos de longa de data, sempre tinha que fazer novas amizades e me acostumar com um lugar diferente, isso acaba tornando a pessoa mais fria, sem vontade de se relacionar para não se machucar.

Educação também foi um desafio, com tantas mudanças...Às vezes pulávamos de ano, outras vezes repetíamos, algumas matérias de matemática estudei três vezes em diferentes anos e escolas, outras coisas básicas eu nunca estudei mas a experiência de vida compensou.

Nesta era da tecnologia, onde sabemos mais da vida dos outros do que da nossa, tudo está bem mais fácil, mas quando eu era criança, antes de existir “Skype”, pagávamos 8RMB por minuto em ligação para o Brasil, isto representava uma boa refeição em um restaurante. Só quem viveu fora naquela época sabe o que é saudade de verdade. Hoje temos facebook, whatsapp e estamos conectados com todos ao mesmo tempo, mas houveram épocas que tínhamos que esperar o natal para poder ligar para a minha avó.

Na cidade onde morávamos, haviam vários itens básicos do dia a dia que não encontrávamos, em 1999, dificilmente achávamos fraldas para vender, desodorante por exemplo, era raridade.

Em compensação, tivemos muitas oportunidades, viajamos, aprendemos novos idiomas, amadurecemos rápido, tivemos fácil acesso à tecnologia bem antes dos brasileiros, fizemos coisas inimagináveis, vimos mais do que as palavras podem expressar....... E hoje temos muitas histórias para contar.


domingo, 3 de maio de 2015

Modos e etiqueta chinesa

Visitando uma família chinesa

1. Chegue na hora combinada, se for atrasar avise
2. Tire os calçados ao entrar em qualquer casa
3. Leve um presente para quem você está visitando (frutas frescas, doce para as crianças da casa, algo típico de algum lugar onde você visitou)
4. Receba objetos (presentes, bebidas, guardanapos) com as duas mãos
5. Faça um elogio ao dono da casa (diga que o filho do casal é muito inteligente ou que algum objeto é muito bonito)


Comendo com chineses

1. Deixe os mais velhos se sentarem primeiro
2. Coma o qaunto quiser, quanto mais comer, mais indica que está gostando da comida
3. Experimente tudo que lhe for oferecido (cada uma que eu já passei...)
4. Não pegue o último pedaço/fatia de comida da mesa
5. Você pode encostar o canto da sua vasilha na boca durante uma refeição
6. Sempre deixe um restinho de comida no seu prato/vasilha, para não dar a impressão que o dono da casa não te deixou satisfeito



Presentes chineses

1. Presenteie com as duas mãos
2. Receba qualquer presente com as duas mãos
3. Recuse um presente pelo menos duas vezes antes de receber (todos fazem isso, então quando você estiver presenteando terá que insistir)



Elogios

1. Os chineses gostam de elogiar, Eles vão dizer: "Uau! Seu chinês é muito bom!" mesmo você só tendo dito “olá”. Eles vão te dizer que o seu país é o mais bonito do mundo, embora nunca tenham visitado, ou que você é muito bonito ou bonita, que você parece muito jovem, que você tem um nariz perfeito, que a sua pele é muito clara, que você sabe usar os pauzinhos muito bem, mesmo você não sabendo usá-los corretamente ... Eu nunca entendi o porquê disso, não sei se é por educação ou humildade ou qualquer outra coisa.



Vestuário

1. É comum ver homens andando sem camisa em vários países do ocidente, mas na China você nunca presenciará esta cena, os chineses não andam sem camisa, mas quando está muito quente, eles levantam a camisa na parte da barriga e continuam numa boa.
2. Na praia, as chinesas raramente usam biquínis pois elas não gostam de ficar com a pele escura. A sensação de ser a única de biquíni não é muito boa.



Gorjeta

1. Os chineses não dão gorjeta em restaurantes ou bares, mesmo quando dão, muitos garçons correm atrás do cliente para devolver.